A acústica do espaço é, disparado, o fator mais ignorado por quem contrata audiovisual para evento corporativo — e provavelmente o que mais estrago faz. Você pode ter o melhor sistema de som do mercado, microfones de ponta e um técnico experiente na mesa, mas se o local tem reverberação excessiva, o público não vai entender metade do que o palestrante diz.
O problema é que a maioria das pessoas escolhe o espaço do evento pela localização, capacidade e preço. A acústica quase nunca entra no checklist — até o dia do evento, quando a apresentação do CEO vira um eco incompreensível num salão de pé-direito duplo com piso de porcelanato. A boa notícia: dá pra prever e resolver isso antes, se você souber o que olhar.
O que é reverberação e por que ela estraga seu evento
Reverberação é o tempo que o som leva para “morrer” dentro de um espaço depois que a fonte para de emitir. Em termos técnicos, medimos isso pelo RT60 — o tempo em segundos para o som cair 60 decibéis. Para eventos com fala (palestras, painéis, convenções), o ideal é um RT60 entre 0,4 e 0,8 segundo. Acima de 1,2 segundo, a inteligibilidade da fala cai drasticamente.
Na prática, quando o RT60 é alto demais, cada sílaba do palestrante se sobrepõe à anterior. O público ouve um som “embolado”, cansa mais rápido e retém menos informação. Em convenções de vendas, onde a mensagem precisa chegar clara, isso é um problema de negócio, não só técnico.
Os vilões da acústica em espaços de evento
Nem todo espaço é igual, e alguns são acusticamente muito mais desafiadores que outros. Os fatores que mais amplificam a reverberação:
Materiais das superfícies
Vidro, concreto aparente, porcelanato e mármore refletem o som quase integralmente. Um salão de hotel com piso de mármore e paredes de vidro pode ter RT60 acima de 2 segundos — péssimo para fala. Já carpete, cortinas, forros acústicos e estofados absorvem frequências médias e altas, reduzindo a reverberação naturalmente.
Pé-direito e volume do espaço
Quanto maior o volume cúbico, mais tempo o som leva para decair. Galpões industriais convertidos em espaços de evento, por exemplo, costumam ter pé-direito de 8 a 12 metros e paredes metálicas — a combinação perfeita para uma acústica desastrosa se não for tratada.
Formato da sala
Salas retangulares com paredes paralelas criam ondas estacionárias — o som rebate entre superfícies opostas, gerando reforço em algumas frequências e cancelamento em outras. Salas com geometria irregular ou paredes anguladas distribuem melhor o som.