O desafio
Salão nobre de hotel é o cenário mais traiçoeiro do mercado de eventos. É bonito, é confortável, tem boa acústica — e tem pé-direito baixo. No Royal Palm, em Campinas, a altura útil de trabalho era de 6,5 a 6,85 metros: menos da metade do que a Showdesign costuma ter numa arena.
Pé-direito baixo cria três problemas ao mesmo tempo. A luz de recorte não tem distância para abrir feixe. A estrutura fica dentro do campo de visão do público, em vez de sumir na escuridão do alto. E o teto em caixotão não oferece pontos de ancoragem prontos — cada quilo suspenso precisa ser calculado e distribuído.
A isso somava-se a variável mais dura do projeto: 11 dias de temporada. A estrutura subiu no dia 16 de março e só desceu no dia 26 — operando continuamente, sem janela para desmontar, revisar ou repor. E, sendo o Banco do Brasil, o padrão de documentação técnica e de segurança não era negociável.
A solução
Painel de LED curvo, não plano. A Showdesign projetou 200 m² de LED em cinco superfícies com curvatura em planta: dois telões de 12 x 5 metros flanqueando um painel central de 10 x 5 metros, mais dois painéis de 5 x 3 metros nas pontas. A curva faz o trabalho que a altura não permitia — em vez de crescer para cima, a imagem envolve a plateia lateralmente e mantém leitura até para quem senta nas extremidades.
Estrutura desenhada para desaparecer. Treliça frontal de 32 metros, complementada por varas de 18, 16 e 14 metros, montada nas cotas de 6,5 e 6,85 metros — o limite físico do salão. As torres usaram seções P-30 e P-50 em módulos curtos, de 4 cm a 4 metros, justamente para caber onde não havia folga.
Rigging com memória de cálculo ponto a ponto. Cinco linhas de suspensão independentes, 19 pontos de içamento e coeficiente de segurança de 20% aplicado sobre cada uma. A treliça frontal, por exemplo: 1.240 kg reais, dimensionada para 1.488 kg, distribuídos em 5 pontos a menos de 300 kg cada. No total, mais de 3.660 kg dimensionados, com 23 talhas e 40 contrapesos.
139 refletores móveis escolhidos pela altura. O parque foi ditado pelo teto: 32 Beam 200 e 10 BSW 480 para os poucos feixes que precisavam cruzar o salão, 27 Robin 150 RGBW e 24 B-EYE K10 para wash e efeito de proximidade, 22 P-5 para preenchimento e 24 Strobe Dynamic para ritmo. Dois consoles GrandMA2, quatro nodes e quatro racks de energia sustentaram a operação.
Cabeamento dimensionado como projeto. 210 cabos de sinal, 160 paralelos, 80 lances de AC e 4 lances de rede de 80 metros — a infraestrutura invisível que faz 139 refletores e 200 m² de LED responderem juntos, todos os dias, sem queda.
Os números do projeto
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Público | Cerca de 1.000 pessoas |
| Dias de temporada | 11 |
| Painel de LED | 200 m² |
| Telões laterais | 2 un. de 12 x 5 m |
| Painel central | 10 x 5 m |
| Painéis de ponta | 2 un. de 5 x 3 m |
| Altura de trabalho | 6,5 m e 6,85 m |
| Treliça frontal | 32 m |
| Varas complementares | 18 m · 16 m · 14 m |
| Pontos de içamento | 19 |
| Carga dimensionada | 3.663 kg (com 20% de segurança) |
| Talhas | 23 |
| Contrapesos | 40 |
| Refletores móveis | 139 |
| Consoles | 2 GrandMA2 |
| Racks de energia | 4 |
| Cabos de sinal | 210 |
Todo o equipamento listado acima é próprio da Showdesign. Nenhum item foi sublocado. Numa temporada de 11 dias isso deixa de ser vantagem e vira viabilidade: manter 139 refletores, 200 m² de LED e 3,6 toneladas de estrutura imobilizados por quase duas semanas só é possível para quem opera com parque próprio — em regime de sublocação, a diária inviabiliza o projeto antes de ele começar.
O resultado
A Convenção Banco do Brasil 2026 rodou 11 dias num salão que não foi projetado para receber show — e não pareceu. 200 m² de LED envolvendo a plateia, 139 fontes de luz operando dentro de um envelope de menos de 7 metros de altura e um projeto de rigging documentado ponto a ponto, com margem de segurança acima do exigido. Padrão de show, exigência de banco.
Ficha técnica
| Direção geral | Leonardo Oliveira |
| Lighting designer | Jefferson Douglas |
| Iluminador | Wallyson França |
| Execução AV | Showdesign |
| Realização | Banco do Brasil |