O Desafio
Num evento de palco, existe uma frente. Existe um lado certo de onde a luz vem, um fundo para o cenário e uma plateia que olha toda na mesma direção. Num ringue, nada disso existe.
O Fight Music Show coloca o público em volta, as câmeras em movimento e dois atletas no centro — e todos os quatro lados são frente ao mesmo tempo. A luz não pode criar sombra dura no rosto de quem luta, não pode ofuscar quem está do lado oposto, não pode deixar um canto do ringue mais escuro que o outro e ainda precisa render para câmera, porque a imagem que sai dali é o produto final.
Some a isso um formato que alterna luta e show musical na mesma noite, com trocas rápidas de clima entre uma coisa e outra, e o projeto deixa de ser “iluminar um ringue” para virar desenho de espaço tridimensional.
A Solução
Um grid duplo suspenso sobre o ringue. O coração do projeto é uma estrutura de dois quadros concêntricos montados no alto: treliça externa de 10×10 m e treliça interna de 6×6 m, ambas centradas no ringue. Isso permite atacar os atletas de dois raios diferentes ao mesmo tempo — o anel interno fecha a luz de topo e o externo abre os ângulos laterais, cobrindo os quatro cantos com a mesma intensidade. Nenhum lado do ringue é o lado bom.
Quatro níveis de voo, do teto ao chão. A treliça mestra sobe a 13,40 m, com linhas intermediárias a 9,80 m, 8,30 m e 6,80 m, mais pórticos de solo de 3,00 m nas laterais. São 154 metros de treliça Q-50 e P-30 distribuídos nesses níveis, incluindo uma linha frontal de 25 metros sobre a plateia, dois pórticos de 7×6 m e linhas diagonais de 6 e 7 metros fechando os cantos da arena.
92 aparelhos organizados por função, não por quantidade. 24 beams para os feixes que rasgam o ar acima do ringue, 20 Robin 150 para movimento e cor, 24 COB para o preenchimento e a luz de rosto, 12 strobos Dynamic para o impacto dos knockouts e das entradas, e 12 strips de LED Dynamic desenhando as linhas da estrutura. Tudo operado em console grandMA sobre um sistema DMX de 8 universos (NPU/Port-Node) e dois racks de AC.
86 m² de LED em três funções. Dois painéis principais de 7,00×3,50 m ancoram o conteúdo para o público das laterais, um painel suspenso sobre o ringue entrega a marca e os replays para quem está nas arquibancadas altas, e faixas de LED de 11 e 7 metros correm sobre as linhas de treliça, transformando a própria estrutura em elemento visual.
Luz pensada para a câmera, não só para a arquibancada. Com jib em operação e transmissão rodando, cada posição de refletor foi verificada contra ângulo de câmera: sem flare direto na lente, sem contraluz que apague o rosto do atleta, sem buraco de luz num canto que a câmera vai atravessar. O projeto foi entregue aprovado para execução e assinado antes da montagem.
Números do Projeto
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Painel de LED (total) | 86 m² |
| Painéis principais | 2 un. de 7,00×3,50 m |
| Faixas de LED nas treliças | 11 m e 7 m |
| Grid externo sobre o ringue | 10×10 m |
| Grid interno sobre o ringue | 6×6 m |
| Linha frontal de treliça | 25 m |
| Treliça Q-50 e P-30 (total) | 154 m |
| Altura da treliça mestra | 13,40 m |
| Níveis de voo | 13,40 · 9,80 · 8,30 · 6,80 m |
| Aparelhos de iluminação | 92 |
| Beam · Robin 150 · COB | 24 · 20 · 24 |
| Strobo Dynamic · Strip LED Dynamic | 12 · 12 |
| Console de iluminação | 1 grandMA |
| Universos DMX | 8 (NPU/Port-Node) |
| Racks de AC · sistema de vídeo | 2 · 1 |
Todo o equipamento é próprio da Showdesign. Nenhum item foi sublocado. Num projeto em que a luz precisa ser idêntica nos quatro lados do ringue, ter o parque inteiro na mesma casa é o que garante que os 24 COB sejam realmente os mesmos 24 COB — mesma temperatura de cor, mesma curva de dimmer, mesma resposta em câmera.
Ficha Técnica
| Função | Responsável |
|---|---|
| Direção Geral | Leonardo Oliveira |
| Iluminador | Wallyson França |
| Light Designer | Cacio Silva |
| Execução AV | Showdesign |