Para dimensionar a sonorização de um evento corporativo, olhe três números: quantas pessoas, quantos metros até a última fileira e quantos microfones abertos ao mesmo tempo. Até umas 100 pessoas, duas caixas ativas em tripé costumam resolver. Acima de 300, ou com mais de 25 metros de fundo, o projeto pede line array e caixas de reforço.
Duas convenções com 400 pessoas podem pedir sistemas bem diferentes: uma em auditório estofado, outra em pavilhão de concreto com mesas redondas. Abaixo, como a conta é feita e o que levar para o fornecedor.
O que entra num sistema de som para evento corporativo?
Um sistema de som corporativo tem cinco blocos: as caixas que falam com a plateia, os retornos do palco, os microfones, a mesa com processamento e a pessoa que opera tudo. Se a proposta não detalha os cinco, falta informação para comparar.
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PA (caixas principais): as caixas que cobrem a plateia. Podem ser caixas convencionais (em tripé ou suspensas) ou line array.
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Reforços: front fill (caixas baixas na boca do palco para as primeiras fileiras), delay (caixas no meio da plateia em salas profundas) e side fill.
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Subwoofer: só quando há trilha, vídeo com música, banda ou festa. Em evento só de fala, costuma ser dispensável (quando o subwoofer faz sentido).
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Retornos (monitores): caixas no palco para o palestrante ou o artista se ouvir.
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Microfones: de mão, headset (aquele preso na orelha) e lapela, com transmissores e pilhas reserva.
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Mesa de som e processamento: onde se ajusta volume, equalização e proteção contra microfonia.
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Operador: o técnico que abre e fecha cada microfone na hora certa.
É esse pacote que a gente entrega na sonorização para eventos corporativos da Showdesign, dimensionado para a sala e para o roteiro.
Como dimensionar o som pelo tamanho do público?
A regra prática é cruzar o porte da plateia com a profundidade da sala. A tabela abaixo é o ponto de partida que usamos em convenções, congressos e lançamentos. Quem fecha o desenho final é o projeto feito com a planta do local.
| Porte | Local típico | Sistema principal | Reforços | Equipe de som |
|---|---|---|---|---|
| Até 100 pessoas | Sala de hotel, workshop | 2 caixas ativas em tripé | Normalmente nenhum | 1 técnico |
| 100 a 300 | Salão de hotel, auditório médio | Caixas convencionais em tripé ou suspensas | Front fill se o palco for largo ou alto | Operador + assistente de microfones |
| 300 a 800 | Centro de convenções | Line array suspenso (esquerda e direita) | Front fill e delay se a sala passar de ~25 m | Operador de PA + técnico de palco e RF |
| Acima de 800 | Pavilhão, arena | Line array com cobertura lateral | Delays, subs, side fill | Equipe com PA, monitor, RF e sistema |
Por que a profundidade pesa tanto? Numa caixa convencional, o som perde cerca de 6 dB a cada vez que a distância dobra. Quem está a 32 metros ouve uns 18 dB a menos que quem está a 4 metros. Aumentar o volume não resolve: a primeira fileira fica desconfortável e o eco da sala piora. Explicamos as soluções no guia sobre som uniforme em evento corporativo grande.
Line array ou caixa convencional: qual o seu evento precisa?
Line array faz sentido quando a sala é profunda ou a plateia passa de algumas centenas de pessoas. A caixa convencional resolve bem salas pequenas e médias, com custo menor.
A diferença está no controle. O line array é uma coluna de caixas suspensas e anguladas que “mira” o som na plateia. Ele perde menos volume com a distância e joga menos energia no teto e nas paredes. Em evento corporativo, onde quase tudo é fala, isso significa palestrante entendido no fundo da sala.
O ponto que pouca gente coloca no cronograma é o rigging, a suspensão das caixas. Em pavilhão, ele tem regra própria:
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Expo Center Norte (SP): rigging exclusivo da EA Estruturas Aéreas, com limite de 50 kg por ponto, sem negociação.
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Transamérica Expo (SP): 60 kg por ponto nos halls A a E. O rigging é feito pela Exata Cabos, com pedido cerca de 15 dias antes.
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São Paulo Expo: operado pela GL events, com o rigging contratado direto pela contratante.
Nesses pavilhões, quem contrata e paga o rigging é o cliente, direto ao pavilhão. Confirme sempre no manual do expositor da edição: os limites mudam o tamanho do line array possível.
Quantos microfones o evento corporativo precisa?
Conte um microfone por pessoa que fala ao mesmo tempo, mais os da plateia e pelo menos um reserva. Um painel com quatro debatedores e mediador, com perguntas do público, já pede uns sete canais.
Só que microfone aberto tem custo. Pela conta clássica de ganho antes da microfonia, cada vez que o número de microfones abertos dobra, o sistema perde cerca de 3 dB antes de começar a apitar (nota técnica da Rane). Por isso o operador fecha o que não está em uso, ou usa um mixer automático.
Qual tipo escolher:
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Headset: fica perto da boca, dá mais volume sem microfonia. Ótimo para palestrante que anda pelo palco.
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Lapela: o mais discreto, bom para entrevista e gravação. Rende menos volume na sala.
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De mão: o padrão para perguntas da plateia e apresentadores.
Sem fio exige planejamento de frequência, ainda mais em centro de convenções com vários eventos ao lado. Detalhamos no post sobre microfone sem fio e falha de sinal.
O palestrante precisa de retorno no palco?
Na maioria das palestras, sim, em volume baixo: um ou dois retornos no chão para ele ouvir a própria voz e o vídeo que está rodando. Banda ou apresentação musical pedem mais retornos e, às vezes, um técnico só para eles.
Por que a sala muda o projeto inteiro?
Porque o eco da sala compete com a voz do palestrante. Pavilhão de concreto, piso frio e vidro refletem muito som. Auditório com poltrona estofada e carpete absorve. Com o mesmo equipamento, o resultado é bem diferente.
A medida técnica de clareza da fala é o STI, de 0 a 1. Segundo a NTi Audio, fabricante de medidores, resultados entre 0,5 e 1 indicam inteligibilidade suficiente a muito boa. Na prática, sala muito reverberante pede mais caixas, mais próximas da plateia e em volume menor. Veja o que checar em acústica do espaço antes do evento.
Qual o papel do operador de som?
O operador é quem faz o equipamento render. Ele abre o microfone do palestrante na hora exata, solta o vídeo no volume certo e corta a microfonia antes de alguém perceber. A posição dele importa: na plateia, de frente para o palco, ouvindo o que o público ouve. Operador escondido numa sala lateral trabalha às cegas.
Quem já sonorizou mais de 9.000 shows aprende a dimensionar com folga. No corporativo, essa folga vira segurança: microfone reserva ligado, pilha nova em cada troca de bloco e passagem de som com o roteiro em mãos.
O que pedir no orçamento de sonorização?
Leve estas informações para o fornecedor. Sem elas, qualquer proposta é chute.
☐ Planta da sala com medidas, pé-direito e posição do palco ☐ Número de pessoas e formato (auditório em fileiras ou mesas redondas) ☐ Roteiro: quantos palestrantes, painéis e momentos de pergunta ☐ Vídeos com áudio, trilha de abertura, banda ou DJ ☐ Transmissão ao vivo ou gravação (precisa de saída de áudio separada) ☐ Tradução simultânea, se houver ☐ Horários de montagem e de passagem de som ☐ Regras do local: rigging, limite de volume, pontos de energia ☐ Equipe incluída na proposta e quantas horas de operação ☐ Quantidade de microfones reserva e de pilhas ou baterias
Perguntas frequentes
Quanto custa a sonorização de um evento corporativo?
Depende do tamanho do sistema, dos dias de montagem e operação, da equipe e do rigging. Um evento de 80 pessoas com duas caixas e dois microfones tem custo bem diferente de uma convenção de 1.000 pessoas com line array suspenso e delays. Peça a proposta item por item para comparar.
O som do hotel ou do centro de convenções resolve?
Para avisos e música ambiente, quase sempre sim. Para palestra com plateia grande, vídeos com trilha ou transmissão, o sistema fixo costuma ter pouca cobertura e controle. Vale uma visita técnica para testar antes de decidir.
Preciso de line array para 200 pessoas?
Nem sempre. Em sala de até uns 20 metros de profundidade, caixas convencionais bem posicionadas resolvem. O line array passa a valer quando a sala é profunda, o pé-direito é alto ou há música forte no roteiro.
Com quanto tempo de antecedência devo fechar o som?
O quanto antes, principalmente se houver rigging em pavilhão. No Transamérica Expo, por exemplo, o pedido de rigging é feito cerca de 15 dias antes. Fechar cedo também garante tempo para a visita técnica e o desenho do sistema.
Conclusão
Dimensionar o som do evento corporativo é cruzar plateia, profundidade da sala e número de microfones, não escolher a caixa mais potente. Com planta e roteiro em mãos, dá para chegar no sistema certo, sem sobra e sem falta.
Se tiver dúvida sobre qual setup faz mais sentido para a sua convenção, chama a gente. A conversa é de graça e sem compromisso.